Portal Uauá
Uauá site da cidade

Os rumos da filantropia pós-pandemia em debate

São Paulo 24/9/2020 – O mundo precisará, mais do que nunca, de uma atuação integrada e colaborativa entre setores para construir caminhos sólidos e cuidar de quem é mais vulnerávelO Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2020, organizado pelo IDIS, tratou de assuntos como fundos filantrópicos, avaliação de impacto, filantropia comunitária, passando pela cultura de doação e socorro às ONGs, até a união de grandes bancos em prol da Amazônia.

O Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, organizado pelo IDIS, reuniu 264 participantes virtualmente na edição 2020, que teve como tema “Novos Horizontes – Reflexões para uma filantropia pós-pandemia”. Os assuntos discutidos foram desde fundos filantrópicos, avaliação de impacto, filantropia comunitária, passando pela cultura de doação e socorro às ONGs até a união de grandes bancos em prol da Amazônia.

Para a diretora-presidente do IDIS a capacidade de mobilização da sociedade atingiu outro patamar com a pandemia do novo coronavírus. Paula Fabiani advertiu que “o mundo precisará, mais do que nunca, de uma atuação integrada e colaborativa entre setores para construir caminhos sólidos e cuidar de quem é mais vulnerável”.

O fundador do Gerando Falcões, plataforma de impacto social que apoia o trabalho de outras ONGs que atuam em periferias e favelas de todo o Brasil, foi o exemplo de inspiração para os dois dias do evento. “Minha história está ligada ao primeiro aporte financeiro que recebi”, explicou Edu Lyra, mostrando que o investidor social tem o papel de “puxar” o protagonismo do empreendedor social no Brasil. Lyra também comentou o resultado da enquete “Se você tivesse R$ 1 milhão para arriscar, em qual tipo de solução inovadora você investiria?”, feita junto aos participantes do evento. A maioria das pessoas priorizaria o investimento em educação e inovação.

Na sessão de abertura do evento, o economista e escritor Eduardo Gianetti teve o desafio de responder à pergunta: como seremos nós e o mundo pós-pandemia? Disse que será muito difícil preservar esse espírito de solidariedade que nos fez presenciar a marca recorde de R$ 6 bilhões em doações no Brasil. Gianetti também ponderou que o auxílio emergencial, do governo federal, é legítimo em momentos de crise, mas não é a resposta para diminuir a pobreza no Brasil.

Um dos instrumentos utilizados para viabilizar as doações foram os Fundos Filantrópicos, em especial aqueles emergenciais, que para o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, vieram para ficar. Na mesma sessão, os debatedores reforçaram os Fundos Patrimoniais como instrumento de sustentabilidade de longo prazo para causas e organizações. Outra ferramenta para ampliar o capital disponível é o Blended Finance. Para Marco Gori, sócio da Din4mo, sem mobilizar o capital privado não há condição de financiar a Agenda 2030, que traz as metas para atingirmos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (OSCs). A sócia do escritório de advocacia Mattos Filho, Flávia Regina de Souza Oliveira, avalia que para os filantropos e investidores financeiros o Blended Finance é inovador e traz a união de diversos capitais por uma única causa: melhorar as questões socioambientais.

Para a filantropa Beatriz Bracher, fundadora do Instituto Galo da Manhã, a pandemia, ao mesmo tempo que nos isolou, também gerou mais empatia com o próximo. Outro filantropo, Antonio Carlos Pipponzi, presidente do conselho administrativo da Raia Drogasil e presidente do conselho do Instituto ACP, acredita que as empresas perceberam, na prática, a importância da doação.

A sessão que tratou sobre filantropia comunitária trouxe o exemplo das Redes da Maré e os esforços da BrazilFoundation com a conclusão que devemos enxergar em um território não apenas seus desafios, mas suas potencialidades, focando nos talentos locais e as forças que podem contribuir ao seu desenvolvimento. Destacaram, ainda, a ação de organizações resposta à pandemia.

Os bancos Itaú Unibanco, Bradesco e Santander mostraram o esforço conjunto que os unem em prol da conservação da Amazônia. As representantes das três instituições contaram que deixaram os crachás de lado e foram aprender com os experts como ter uma atuação de impacto na região, mobilizando empresas e clientes em favor das comunidades e de ações que contribuem ao desenvolvimento econômico.

“O brasileiro tem uma boa alma, gosta de ajudar o próximo”, afirmou José Luiz Egydio Setúbal, presidente e instituidor da Fundação José Luiz Egydio Setúbal e vice-presidente do Instituto PENSI, no painel “OSCs na UTI: de onde vem o socorro?”. Em sua fala, entretanto, Setúbal lembrou que os ricos doam proporcionalmente menos do que os brasileiros que têm menos recursos, e isso deveria mudar. Ao lado de Carola Matarazzo, CEO do Movimento Bem Maior, os dois defenderam a importância de uma relação de confiança entre doadores e ONGs. O fortalecimento da cultura de doação permeou a conversa, que contou com a apresentação do documento ‘Por um Brasil + Doador, Sempre’, produzido pelo Movimento por uma Cultura de Doação, do qual Erika Sanchez Saez, moderadora da mesa, é membro.

A palestra com o tema ‘Novos horizontes da filantropia no mundo’ encerrou o evento, reunindo Philip Yun, CEO do Global Philanthropy Forum, Matthew Bishop, autor do livro Philanthrocapitalism, e Michael Mapstone, diretor de Relações Externas e Engajamento Global da Charities Aid Foundation.

Yun ponderou sobre como tudo está acelerado – e deve se acelerar mais – e dentro desse paradigma ressaltou os novos desafios das mudanças climáticas e da urgência de ações. “Em dez ou quinze anos talvez não tenhamos mais chance de consertar o que é preciso em relação ao clima”, alertou.

Mapstone chamou atenção para a importância da transparência de dados, prestação de contas e maior conscientização sobre as estruturas para garantir respostas ágeis. “A pandemia trouxe uma visão mais clara sobre as desigualdades e injustiças sociais, além de novos modelos de doação. Vamos ver como avançamos e aonde chegaremos com isso”.

Por fim, Bishop disse que os filantropos poderão ter papel importante nas mudanças futuras, principalmente com o uso da tecnologia. “Precisamos ter a coragem de assumir nosso papel e aproveitar a oportunidade; encontrar exemplos que nos inspirem e aprender com os erros do passado”. Ele apresentou o movimento global do qual faz parte, o Catalyst 2030 e que já começa a ser gestado no Brasil. Destacou que colaboração será a palavra de ordem para o atingimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

O conteúdo de todas as palestras será, em breve, publicado no canal do IDIS no YouTube. Os registros realizados pela artista gráfica Mila Santoro estão disponíveis em www.idis.org.br/forum/biblioteca

Website: https://www.youtube.com/user/videosidis

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você está ok com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceito Leia mais

Privacidade& Política de Cookies