São Paulo, SP 27/8/2020 – Garantias de segurança e maiores esclarecimentos à população serão primordiais para uma alta adesão e sucesso do projeto

Essa mais nova disrupção do sistema financeiro exigirá dos participantes mente aberta, melhores e mais robustas tecnologias, parâmetros mais rígidos de segurança e muito cuidado com os dados financeiros pessoais dos clientes

Independentemente da pandemia e de toda instabilidade que a Covid-19 trouxe ao mercado, o Banco Central do Brasil manteve sua agenda de reformas — a chamada Agenda BC# — e está caminhando a passos firmes para implantar o Open Banking no país. Dividido em 04 fases, o projeto terá início em 30 de novembro próximo e será finalizado em outubro de 2021, quando estará em pleno funcionamento. O Open Banking trará inovações que beneficiarão tanto os consumidores como o mercado, mas é importante ficar atento para as exigências regulatórias e tecnológicas desse novo modelo.

Pesquisa Ipsos feita com 15.000 entrevistados em 15 países revelou as principais preocupações dos usuários em relação ao Open Banking. Entre elas estão: achar que haverá falta de proteção aos seus dados pessoais; o risco de que seus dados financeiros sejam obtidos por partes mal-intencionadas; e não saber quem, afinal, guardará seus dados financeiros.

De acordo com Genivaldo Araújo, CEO da consultoria 3CON, garantias de segurança, aderência à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e maiores esclarecimentos à população serão primordiais para uma alta adesão dos clientes e sucesso do projeto. Ele ainda ressalta que no caso das instituições financeiras serão necessários critérios rígidos na escolha de suas plataformas tecnológicas e uma rígida postura de segurança, afinal, haverá mais do que nunca um acesso grande aos seus sistemas e base de dados através das APIs abertas.

Grandes mudanças nos serviços financeiros ao consumidor

O Banco Central definiu o Open Banking como plataforma de compartilhamento de informações e serviços entre instituições financeiras de forma organizada, sistematizada e segura. Nesse novo modelo, o cliente assume papel central, pois terá poder sobre seus dados e poderá usar partes dos serviços de cada instituição financeira conforme sua conveniência e assim criar ‘seu próprio banco’.

Ainda segundo o BC, o Open Banking deve ajudar a baratear os juros e serviços bancários, tornar o sistema financeiro mais competitivo, melhorar a prestação de serviços ao consumidor e possibilitar a criação de novos modelos de negócios. A expectativa é que revolucionará a maneira como as pessoas se relacionam com o dinheiro e com as instituições, sejam bancos, fintechs, corretoras de valores etc.

“Um exemplo prático da aplicação do conceito de Open Banking é que os consumidores poderão ter suas contas-corrente centralizadas e operadas através de um único aplicativo mobile, e não necessariamente através do app do seu banco. Essa integração poderá acontecer também com o ecommerce e plataformas de marketplaces. As possibilidades que surgem a partir da regulação e implantação do Open Banking são enormes”, avaliou Araújo.

APIs e Segurança

O primeiro desafio a ser enfrentado para implantação do Open Banking é a forma como será feita essa comunicação e compartilhamento de dados. O BC e o mercado já têm a resposta. Basicamente, isso será resolvido com a padronização das API – Application Programming Interface – ou interface de programação de aplicativos.

O CEO da 3CON explica que APIs são minissistemas — ou conectores — que acessam outros programas ou sistemas. Esses conectores ocuparão papel fundamental na arquitetura tecnológica do Open Banking já que todas as instituições financeiras que decidirem participar terão que compartilhar informações. Ou seja, terão que permitir que outras empresas acessem suas bases de dados, seus sistemas, para coletar informações de seus clientes — algo impensado para o mercado financeiro até alguns anos atrás — através de uma camada de APIs.

“Isso demandará novos e mais robustos requisitos de segurança, uma gestão mais eficiente da arquitetura e topografia de bases de dados, gerenciamento efetivo de desempenho de aplicativos, além de satisfazer os requisitos do BC e rigorosos SLAs”, alertou.

Relatório da Accenture chamado “The Brave New World of Open Banking” (O admirável mundo novo do Open Banking) concluiu que ‘os vencedores serão os bancos que adotarem o Open Banking e modernizarem seu modelo de negócios, abrindo-o para terceiros, e aceitar que o jardim murado através do qual os bancos desfrutavam de posição privilegiada na economia é coisa do passado’. Araújo acrescenta: “Certamente, os consumidores sairão ganhando, mas do lado das empresas prestadoras de serviços financeiros, os vencedores serão aqueles que se dispuserem a conhecer todas as possíveis brechas de segurança e repará-las e os que adicionarem proteções e controle às suas bases de dados, onde se encontram seus ativos mais importantes”, concluiu.

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