Uauá: Decreto abre caminho para o agro na produção de cervejas artesanais

Uauá: Decreto abre caminho para o agro na produção de cervejas artesanais
UMBU UAUA
UMBU UAUA

Antes do decreto 9.902/2019, publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), bebidas artesanais feitas com frutas, chocolate, mel ou leite misturados ao lúpulo poderiam ser chamadas no rótulo, para fins legais, apenas de “bebida alcoólica mista”, e sequer eram consideradas cervejas.

“Cerveja é a bebida resultante da fermentação, a partir da levedura cervejeira, do mosto de cevada malteada ou de extrato de malte, submetido previamente a um processo de cocção adicionado de lúpulo ou extrato de lúpulo, hipótese em que uma parte da cevada malteada ou do extrato de malte poderá ser substituída parcialmente por adjunto cervejeiro”, diz agora o decreto.

Agora, com o crescimento, os planos são fazer 3 mil garrafas de 350 ml por dia, devido a alta demanda, e vai expandir a cerveja para aos quatro cantos da Bahia. “Por enquanto, o empreendimento é familiar [ele toca o negócio com a esposa Andrea, 45, e o filho Rafael, 23], mas quando o novo equipamento chegar já vamos começar a gerar emprego”, informou.

Todas as frutas usadas na produção da cerveja são plantadas na Chapada, incluindo o lúpulo, que é importado pela maioria das cervejarias.

“Temos fazendeiros que acreditaram e investiram, estão plantando lúpulo. O Morro do Chapéu tem a perspectiva fantástica de virar o primeiro polo cervejeiro do nordeste. Aqui temos terra e clima pra fazer a produção de todos os insumos cervejeiros”, afirmou Sampaio.

Mas o cervejeiro não está de acordo com o decreto sobre as cervejas artesanais do Mapa (ouça a entrevista).

A experiência com a cerveja artesanal está servindo para aumentar renda com o beneficiamento de frutas na região de Uauá, no norte da Bahia, onde está instalada a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coppercuc), que possui 271 cooperados.

Na região, o produto usado é o fruto do umbu, imortalizado como “a árvore sagrada do sertão” em Os Sertões, de Euclides da Cunha. O fruto é usado também para fazer geleias e doces por parte da cooperativa, cujos integrantes produzem ainda maracujá e goiaba, dentre outras frutas, as quais são beneficiadas em duas agroindústrias da cooperativa.

Antes de aproveitar o umbu, as famílias viviam somente da criação de cabras e ovelhas, relata a presidente da cooperativa Denise Cardoso, 29. Em 2004, um projeto da Igreja Católica de convivência com o semiárido os fez ver a potencialidade do umbu, antes desperdiçado e vendido muito barato.

A safra deste ano deve ficar em 40 toneladas de umbu. “Começamos nossa experiência com a cerveja de umbu há cinco anos, numa parceria com uma cervejaria de Minas Gerais, depois passamos a produzir com uma outra do Rio Grande do Sul, que até hoje produz a nossa cerveja. Enviamos a fruta e eles enviam as garrafas pra gente”, disse.

São enviadas 2 mil garrafas de 500 mls a cada dois meses. A ideia é expandir os negócios fazer com que outros produtos possam ter mais saída com a venda da cerveja, novidade que atrai um público diferenciado do consumidor de doces.

“Estamos aproveitando essa onda de cerveja artesanal. Lançamos a cerveja de umbu pra testar e foi fortalecendo. Ela tem levado outros produtos, as pessoas compram a cerveja e querem levar geleias, estamos achando um mercado bastante interessante”, declarou Denise.

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