Uauá: Os Descaminhos do PT em Uauá

Recentemente saudei publicamente e com muito entusiasmos o lançamento da pré-candidatura do Vereador Miroval a Prefeito Municipal em Uauá pelo Partido dos Trabalhadores. Estava convicta, na ocasião, de que a sua candidatura enriqueceria sobremaneira a disputa eleitoral em 2016. Miroval à frente do seu mandato no legislativo municipal sempre se mostrou um político firme, íntegro, […]

Recentemente saudei publicamente e com muito entusiasmos o lançamento da pré-candidatura do Vereador Miroval a Prefeito Municipal em Uauá pelo Partido dos Trabalhadores. Estava convicta, na ocasião, de que a sua candidatura enriqueceria sobremaneira a disputa eleitoral em 2016. Miroval à frente do seu mandato no

legislativo municipal sempre se mostrou um político firme, íntegro, altivo, coerente em suas defesas e posições, um ótimo quadro do PT municipal e, portanto, um grande merecedor da indicação de levar o partido para as disputas desse ano.

No atual, impropero, degradante, ruim e desafiador momento político que nossa cidade vivencia, quando desde 2012 um grupo ambicioso assentou-se à mesa farta do poder para transformar a Administração Pública em propriedade privada – uma extensão malquista do quintal de suas casas – e onde sem quaisquer pudor ou escrúpulos se locupletam da ‘Coisa Pública’, a pré-candidatura de Miroval mostrava-se um alento, um lampejo de esperança para um povo sofrido que mesmo com ceticismos ainda sonha com tempos melhores em Uauá.

A ousadia de Miroval à época me fazia lembrar do Eduardo Galeano, escritor Uruguaio conhecido por ter sido um dos grandes nomes que se atreveu no campo político a dar voz à América Latina e suas Veias Abertas, quando dizia que: “muita gente pequena, em pequenos lugares, fazendo coisas pequenas podem transformar o mundo”.

Transformar, verbo tão bonito. E o PT ajudou a transformar quando resolveu lá bem atrás se sobrepor à forma ‘posta’ do fazer política em Uauá, com disputas centralizadas entre famílias de tradição no nosso município. Ajudou a transformar quando decidiu que poderia sim disputar em igualdade de condições processos eleitorais capitaneados por velhos caciques da política local que transformaram ao longo dos anos a política uauaense em um negócio de família. O PT ajudou a transformar quando mesmo perdendo por consecutivas vezes as eleições municipais, jamais desvaneceu, jamais se intimidou em impor uma candidatura e a levar o ambicioso projeto do partido para julgamento popular.

Mas o PT não transforma, muito pelo contrário, desaponta, cai em um mar de contradições, quando assente em forjar – por interesse, conveniência ou capricho – uma aliança esdrúxula com um grupo inescrupuloso cuja maior ambição política é apenas assegurar a sua permanência no poder e a manutenção dos seus privilégios. O PT não transforma quando resolve cair na vala comum endossando irrestrito apoio a um grupo que só representa atrasos e retrocessos à nossa cidade, um grupo que há quatro anos não mostrou nada de novo ao povo, que afundou Uauá num poço de mazelas e descaso, um grupo político que sucateou a saúde pública e a educação no nosso município.

O PT não transforma e erra, erra feio, quando resolve defender a continuidade desse governo irresponsável, autoritário, despótico, que persegue professores, que fecha escolas, que desrespeita e avilta a nossa gente sofrida, que descuida em zelar pelo bem comum. O PT não transforma, decepciona, quando aceita formar uma chapa e ser liderado por uma figura pública reconhecida pelos seus fracassos políticos, pela sua inapetência, pelos seus desvios morais e éticos. O PT não transforma, quando abre mão de suas posições – antes oposição ferrenha a este governo de incompetentes – para abraçar as causas dessa administração mesquinha e irresponsável. É um terrível contrassenso e é vergonhoso que assim seja.

Há quem tente justificar este arranjo, fazendo uso de argumentos retóricos pragmaticistas, que em nada se compatibilizam com a história e trajetória do PT em nossa cidade. A história de um PT prenhe de ideologias, que pratica a política dos bons propósitos, o PT dos projetos ambiciosos que pensam Uauá e nossa gente. Seguir na contramão disso, é perder-se em descaminhos e espero, um dia, haja volta.

Espero bem ainda que esse desabafo – sim, público – não soe como uma crítica pretensiosa as decisões do PT, longe disso, acho que essas confrontações são sim necessárias, fomentam a reflexão. Miroval, pelo grande homem que é, terá sempre o meu respeito, mas as decisões equivocadas que toma junto e/em nome do partido, jamais receberão o meu apoio.

Digo isso, Miroval, porque sempre estive ao lado do PT em minha modesta militância, sempre defendi esse partido por acreditar no projeto político transformador que defendem em nossa cidade, por acreditar na mudança ao que está posto, assim como fizemos – de modo inédito e histórico – em 2012.

Esse outro lado que o partido hoje abraça, não me representa porque destoa de sua toda história.

E bem como prenunciava o Edu’ Galeano: “A história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi, anuncia o que será.”

Texto: Áquila Almeida

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