Quanto vale o impeachment?

Enfraquecimento político do governo atrai investidores estrangeiros, eleva preços das ações e derruba o dólar. Entenda os limites desse movimento Quanto vale o impeachment? Enfraquecimento político do governo atrai investidores estrangeiros, eleva preços das ações e derruba o dólar. Entenda os limites desse movimento Eles marcham, a bolsa sobe: Passeata contra o governo Dilma, em […]

Enfraquecimento político do governo atrai investidores estrangeiros, eleva preços das ações e derruba o dólar. Entenda os limites desse movimento

Quanto vale o impeachment?

Enfraquecimento político do governo atrai investidores estrangeiros, eleva preços das ações e derruba o dólar. Entenda os limites desse movimento

Eles marcham, a bolsa sobe: Passeata contra o governo Dilma, em abril de 2015. Movimento foi reprogramado para o dia 13 de março
Eles marcham, a bolsa sobe: Passeata contra o governo Dilma, em abril de 2015. Movimento foi reprogramado para o dia 13 de março ( foto: Foto: AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIO)
A forma mais didática de explicar a relação entre política e mercado financeiro é citando dois números. Nos seis primeiros pregões de março, os investidores internacionais injetaram R$ 5,7 bilhões na Bolsa brasileira. Desse total, R$ 2,1 bilhões vieram em apenas um pregão. Foi na sexta-feira, 4 de março, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal, e um dia depois da divulgação da delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), antecipada por ISTOÉ. Para comparar, a entrada de recursos no acumulado do ano é de R$ 7,8 bilhões. “Dois em cada três reais chegaram quando a situação do governo se complicou”, diz Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modal Mais, plataforma de investimentos vinculada ao Banco Modal. “Quando o governo dá sinais de fraqueza, a Bolsa se fortalece.”
Para as ações brasileiras, a perspectiva do impeachment da presidente Dilma Rousseff representou uma alta de 13% até a quarta-feira 9, agregando R$ 237 bilhões ao valor de mercado das empresas abertas. Os compradores foram, em sua maioria, grandes investidores 100% brasileiros, que resolveram trazer ao País parte de seus recursos aplicados no Exterior. A intenção dessa turma é comprar agora para tentar vender com lucro mais adiante, de preferência para investidores nascidos fora do Brasil. 

O interesse deles é líquido e certo. A gestora de recursos americana Franklin Templeton investiu R$ 70 bilhões em títulos públicos brasileiros corrigidos pela inflação, as Notas do Tesouro Nacional série B. Segundo especialistas do mercado, o economista americano Michael Hasens-tab, responsável pelos investimentos de diversos fundos da Templeton, avalia que o Brasil está barato e os juros são atraentes. Procurada, a Templeton não comentou.

O mercado brasileiro já vinha atraindo a atenção dos gringos desde o fim do ano passado, quando o dólar se aproximou dos R$ 4. Agora, a possibilidade de substituir um governo considerado hostil à iniciativa privada e pouco responsável em termos fiscais por alguém mais palatável para os investidores anima os pregões. “O impeachment não atrai por si só, mas porque a mudança de governo oferece um sinal de melhoria na governabilidade e na credibilidade ”, diz Bandeira. Para ele, esse é um movimento sustentável.

Outro analista, porém, indica  cautela. “Uma mudança de governo seria bem-vista pelo mercado, mas não resolveria automaticamente todos os problemas”, diz Adeodato Netto, diretor de mercado de capitais da empresa de análise independente Eleven. “A economia deverá encolher neste ano e o Brasil deve demorar para retornar ao grau de investimento.” 
istoedinheiro

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